Ditadura Militar

No tempo em que fui estudante do Ensino Médio e mesmo durante a graduação em História, eu não gostava de ler muito a respeito da Ditadura Militar. Não gostava de ver os crimes cometidos contra os camponeses, índios e militantes políticos; não suportava sequer ver imagens ou depoimentos de torturados, pessoas estupradas, abusadas física e psicologicamente pelos rapazes que depois alegaram apenas receberem "ordens superiores". Como mulher não podia vislumbrar sem ficar chocada e até mesmo com trauma as cenas de estupros, exposição da nudez, coques no corpo - principalmente na genitália - feminino... Contudo, hoje penso que é fundamental não apenas os estudantes, mas a toda a população ter acesso ao conhecimento a respeito desse episódio vergonhoso da História do Brasil porque os contemporâneos a ela, por vezes, têm a memória curta e os jovens que não vivenciaram e conhecem pouco de História nem imaginam a imundície que foi o regime militar após 1964. Nenhuma mulher (assassina, dona de casa, estudante, militante cristã ou não) merece passar pela violência de ter alguém acessando o seu corpo sem permissão. E os padres espancados e abusados, a exemplo do Frei Titto? Eles lutaram e morreram por nada?
 

Atualmente multiplicam-se sites pró-ditadura, falácias e mais falácias contra a democracia e os Direitos Humanos, entre outras sandices... nem todo mundo respeita os DH (falo de certos políticos, assassinos e principalmente os ricos que preferem queimar alimento a distribuí-lo gratuitamente), mas é um dever nosso enquanto produtores de conhecimento desconstruirmos isso e assegurarmos aos nossos semelhantes o direito à escolha, a um recomeço, à dignidade humana.

Infância banida - Artigo de Plínio Fraga. Fotos do arquivo do SNI

Maria Auxiliadora Lara Barcellos, a Dora, entrevistada no filme Brasil, um relato da tortura (1971).

Landau afirmou “sentir saudade” dos dois personagens mais marcantes de sua obra: Maria Auxiliadora Lara Barcellos, a Dora, uma estudante de medicina de 27 anos que relatou torturas físicas, sexuais e psicológicas com clareza, segurança e tranquilidade – em alguns momentos, sorriu. Landau perguntou do quê. “De nervoso”, respondeu ela. E frei Tito Alencar, que narrou que, durante as torturas, torcia para morrer logo. Os dois suicidaram-se alguns anos depois. Dora foi citada pela presidente Dilma Rousseff quando tomou posse: “Queria que você estivesse aqui para ver tudo isso”.

Dora faz um relato aterrorizante de sua prisão: “[Eles] nos tiraram a roupa e fizeram uma série de torturas: espancamentos, ‘telefone’, fizeram simulação de atos sexuais e chamaram todos os outros funcionários do Dops para assistir. Deixaram-me em pé cerca de seis horas; deram-me choques elétricos. As mulheres eram torturadas com choques na vagina, seios e orelhas”. Quatro anos mais tarde, ela se jogaria numa plataforma de metrô na cidade de Colônia, na Alemanha.

“Recordo que Haskell e eu ficamos encantados com Maria Auxiliadora e impressionados com alguns outros revolucionários, por sua força e comprometimento. Também me lembro da minha dificuldade com a língua, falando espanhol e tentando entender português e portunhol”, disse Landau, cujo filme mais recente é Will the Real Terrorists Please Stand up?, sobre cinco cubanos presos em Miami acusados de espionagem.
Foto: Infância banida - Artigo de Plínio Fraga. Fotos do arquivo do SNI

Maria Auxiliadora Lara Barcellos, a Dora, entrevistada no filme Brasil, um relato da tortura (1971).

Landau afirmou “sentir saudade” dos dois personagens mais marcantes de sua obra: Maria Auxiliadora Lara Barcellos, a Dora, uma estudante de medicina de 27 anos que relatou torturas físicas, sexuais e psicológicas com clareza, segurança e tranquilidade – em alguns momentos, sorriu. Landau perguntou do quê. “De nervoso”, respondeu ela. E frei Tito Alencar, que narrou que, durante as torturas, torcia para morrer logo. Os dois suicidaram-se alguns anos depois. Dora foi citada pela presidente Dilma Rousseff quando tomou posse: “Queria que você estivesse aqui para ver tudo isso”.

Dora faz um relato aterrorizante de sua prisão: “[Eles] nos tiraram a roupa e fizeram uma série de torturas: espancamentos, ‘telefone’, fizeram simulação de atos sexuais e chamaram todos os outros funcionários do Dops para assistir. Deixaram-me em pé cerca de seis horas; deram-me choques elétricos. As mulheres eram torturadas com choques na vagina, seios e orelhas”. Quatro anos mais tarde, ela se jogaria numa plataforma de metrô na cidade de Colônia, na Alemanha.

“Recordo que Haskell e eu ficamos encantados com Maria Auxiliadora e impressionados com alguns outros revolucionários, por sua força e comprometimento. Também me lembro da minha dificuldade com a língua, falando espanhol e tentando entender português e portunhol”, disse Landau, cujo filme mais recente é Will the Real Terrorists Please Stand up?, sobre cinco cubanos presos em Miami acusados de espionagem.


 
Fonte: Artigo Publicizado por a Históriadora  Rakel Galdino em sua rede social (FacebooK)