OS TRANSCENDENTALISTAS ESTÃO CHEGANDO

OS TRANSCENDENTALISTAS  ESTÃO  CHEGANDO

 

Poetas malditos, rebeldes sem causa, transviados, marginais, transgressores. Qualquer que seja o conceito e o contexto social e político de uma sociedade - o personagem – artista (figura pública) ou anônima (ovelha negra da família) torna-se “odiadx ou amadx” por seu grupo e/ou a sociedade (em parte). Objetiva e subjetivamente.

Xs artistas ( cantorxs, escritorxs, poetas, atorxs, pintorxs ) interessantemente criam conceitos, atitudes, filosofias de vida que marcam gerações historicamente. Mitos rompendo paradigmas históricos estabelecidos.

Suas mortes prematuramente ( drogas – tabagismo ,álcool/fármacos – boemias, overdoses, acidentes automobilísticos, suicídio, patologias, até questões políticas ) são marcas simbólicas e freqüentes que estigmatizam o seio desses personagens internacionais. Ícones dos pensamentos contestadores, visionários, eventualmente geradxs e nascidxs “fora de seu tempo”. 

“Porque é tão estranho

os bons morrem jovens

e lembro de você e de tanta gente que se foi cedo demais

e cedo demais, eu aprendi a ter tudo que sempre quis”.

 

Quem nunca bebeu ou bebe dessas águas vivas que ainda estão e estarão sempre nas fontes? Fontes cristalinas (ou sujas ? ) brotando e cuspindo o manjar dos deuses  nas caras dxs caretas. Seiva antídoto contra os besteiróis tupiniquins e os produtos enlatados americanizados; num mix mercadologicamente e ditatorialmente mantidos com o aval da mídia conservadora, elitista, como cultura de massa popular.

Que atire sua ideologia, aquelx que não tem ou teve um ‘ídolo’, ou simpatiza ou simpatizou algum personagem imortal e sua bagagem explosiva, avacalhadora, desconstrutiva.

Ou :

“Oncinha pintada,

zebrinha listrada,

coelhinho peludo,

vão se fuder!

porque aqui na face da terra

só bicho escroto é que vai ter!”.

 

E ser escroto, significa ficar:

“Procurando vaga uma hora aqui, a outra ali

no vai-e-vem dos teus quadris”.

Ainda que se para ponderar, questionar e escrachar museus seculares que sustentam-se e resistem pelas sociedades mundo à fora, de que adiantará nossa solidariedade aos surtos angustiantes de Van Gogh? Quando em sua lucidez inspirativa, revolucionária, ao pintar uma maçã, não apenas pintava e via a mesma, mas, observava e pintava-a a partir de sua gênese, semente, fecundação atômica; visão dialética, em seu íntimo. Há de se cortar também as longas orelhas dxs milhões de velhxs de plantão, aproveitando o uso de células troncos neuronais.

O bom uso dos seis sentidos poucxs são xs que fazem.

Certamente, difícil e desanimador torna-se a missão:

“Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota

e adiar para outro século a felicidade coletiva.

Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição

porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan”.

 

Há! eu não conseguirei!

A caminhada é longa, árdua; ou não, paradoxos. Persista, insista, não desista...deixe suas pegadas pelo caminho. A exemplo de Rimbaud, há mais de um século, ao fazer uma direta e intempestiva ofensa contra o soneto tradicional e seus temas elevados, em “Soneto do buraco do cu/ Sonnet du trou du cul :

Obscuro e enrugado como um cravo roxo,

ele respira, humildemente escondido em meio ao musgo

úmido ainda de amor que segue a doce fuga

das nádegas brancas até o âmago de sua orla.

 

Filamentos parecidos a lágrimas de leite

choraram, sob o vento cruel que os repele,

através dos pequenos coágulos de marga raiva

para irem se perder onde o declive os chamava.

 

Meu sonho frequentemente se colou à sua ventosa;

minh alma, com ciúmes do coito material,

dele fez seu lacrimário fulvo e seu ninho e soluços.

É a oliva desfalecida, e a flauta carinhosa;

é o tubo por onde desce a celeste pralina:

Canaã feminino encerrado nas umidades!”

 

Citações: Caetano Veloso, Legião Urbana, Titãs, Cazuza, Carlos Drummond de Andrade.

Obs.: Utilizou-se o termo “x” para não caracterizar gênero (masculino ou feminino).

Por Adauto Moura (arena-de-ideias.webnode.com)