Vitória de Cristiano Ronaldo na Bola de Ouro da FIFA que o consagrou como o melhor do mundo em 2013, julguei que seria interessante pensar um pouco

     Na última quarta-feira, (26/09) ao acompanhar a aula de futebol elegantemente ministrada pelo Real Madrid na sonora goleada aplicada sobre o Schalke 04 em plena Veltins-Arena, me veio à mente -e nela reverberou por alguns minutos- aquela que é talvez, na atualidade, o maior motivo de discussão entre os apaixonados amantes do futebol. Não costumo me envolver em contendas quando julgo que as mesmas não possuem um norte ou razão suficiente para causar a discussão, mas a partir daquele jogo e da recente vitória de Cristiano Ronaldo na Bola de Ouro da FIFA que o consagrou como o melhor do mundo em 2013, julguei que seria interessante pensar um pouco sobre a tal disputa “quem é melhor? Quem ganha?” Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi.

     De 2008 até então, o futebol mundial é dominado por estes dois gênios da bola. Sim, gênios; por tudo o que já mostraram, por todos os recordes quebrados e por tudo o que já conquistaram, seria uma afronta e um erro crasso não alçá-los ao patamar dos grandes craques da história. Talvez tal discussão não fosse travada se estes dois geniais atletas não atuassem no mesmo período, correto? Bobagem, a interminável disputa entre Pelé e Maradona contesta e derruba categoricamente esta suposição.

Mas se a questão é de fato compará-los, vamos aos números que podem nos ajudar a formar ou modificar nossa opinião a respeito. Ambos são potenciais destruidores de recordes, vejamos:

     Messi possui hoje 26 anos de idade, afora o fato de até hoje só ter ostentado a camisa do clube que o revelou, entenda porque Messi merece nossa admiração (e posteriormente entenda porque CR7 merece nossa admiração): Messi é o único futebolista da história a vencer por 4 vezes (consecutivas) o prêmio de melhor do mundo da FIFA, ao vencer pela 3ª vez igualou-se a Zinédine Zidane e Ronaldo Nazário, os ultrapassando posteriormente. Em Dezembro de 2012, Messi marcou seu 91º gol naquela temporada, quebrando o recorde de gols numa só temporada em jogos oficiais e se consagrou como o maior artilheiro da história do Barcelona. Na temporada 08-2009, Messi comandou o Barcelona na realização do incrível feito de vencer todos os títulos disputados na temporada e de quebra, foi o mais jovem jogador a ser eleito o melhor do mundo, com apenas 22 anos. Em 10-2011, Messi disputou 55 jogos, marcou 53 gols e deu 24 assistências sendo, deste modo, aclamado pelos especialistas da bola.  Messi se tornou ainda, o maior artilheiro do Barcelona no clássico contra o Real Madrid e com apenas 25 anos de idade igualou o número de gols do maior ídolo argentino, Diego Maradona em toda a sua carreira. Maradona só leva larga vantagem no quesito gols marcados em Copas do Mundo; Messi tem apenas um, enquanto Maradona anotou 14 gols.

     Já CR7, que hoje possui 29 anos, foi por duas vezes eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA, em 2008 e em 2013. Ronaldo tornou-se o maior goleador numa só temporada da história do Real Madrid, ao superar ninguém mais, ninguém menos que Ferenc Puskás. Foi ele inclusive, o primeiro a vencer o prêmio de gol mais bonito do ano (em 2009) que leva o nome de Puskás. E só pra começar, ostentou na sua transferência do Manchester United para o Real Madrid o título de “o jogador mais caro da história”, num acordo fixado em 80 milhões de libras esterlinas, algo em torno de 94 milhões de euros. Ronaldo foi o primeiro atleta a vencer todos os 4 principais prêmios da Professional Footballers' Association (PFA), a mais antiga associação esportiva profissional do mundo, isso ainda pelos Red Devils. No clube merengue, CR7 quebrou também o recorde de maior número de gols marcados numa só temporada no campeonato espanhol e também o recorde de mais gols marcados por minuto com um gol a cada 70,7 minutos. Ronaldo superou sua marca pessoal de gols numa temporada em 2013, marcando 69, mas ainda longe de seu contendedor que marcou 91, como descrito acima. Saibam, nenhum atleta no futebol mundial disputou mais de 200 partidas pelo mesmo clube e manteve a incrível marca de um gol ou mais por partida, além de CR7 nos últimos tempos. Cristiano possui mais gols do que jogos pelo Real; se mantiver a sua média muito em breve poderá alcançar Raúl González e seus 323 gols, tornando-se assim o maior goleador da história do clube merengue; honestamente, concebo que isso é apenas questão de tempo.

     Bem, ambos são inegavelmente geniais, os números comprovam. Mas se fosse compelido a uma escolha, a duras penas ainda colocaria Messi um pouco à frente por julgá-lo mais completo em alguns quesitos, afora o seu impecável comportamento. Ora, quem não gostaria de ter um atleta focado como Messi em seu elenco? Ora, e quem não gostaria de ter um atleta capaz de garantir o show como CR7? Talvez seja realmente bobagem compará-los, mas é uma bobagem inevitável e um tanto viciante. Talentos não são comparáveis, são louváveis! E devemos, antes de estabelecer uma disputa entre os dois, apreciar a grande chance de poder acompanhar o desfile de talento de dois dos grandes jogadores da história! Se Messi é certeza de foco, eficiência, concentração, de um time jogando por música, harmoniosamente e caprichosamente goleador, com a sua pessoal característica de conduzir a bola coladinha no pé, CR7 é a certeza de que não haverá zero no placar, é certeza de um jogo com fulgor, brilhantismo, de um time jogando para o ápice de uma grande estrela, único além de Didi a cobrar as faltas no estilo “folha-seca” e de um time igualmente goleador. Messi faz seu time jogar e o time de CR7 joga para ele. No fim das contas, ambos, em campo, cada um com a sua característica, garantem o espetáculo! Como se não bastassem CR7 e Messi, agora surgiram dois tais chamados Bale e Neymar para valorizar ainda mais a disputa recheada de talento que, querendo ou não, tem como base o clássico e a rivalidade entre Real Madrid e Barcelona. E atendendo ao questionamento que deu início a este texto, “quem ganha” esta disputa é o torcedor blaugrana, é o torcedor merengue e sobretudo, quem ganha com isso tudo são os apaixonados por futebol que poderão descrever aos seus filhos e netos o deleite que foi acompanhar as carreiras espetaculares de Messi e CR7, já dois dos maiores jogadores de todos os tempos!

Por: Clecio Emanuel