Cristovam Buarque se filiar ao PPS

Depois de três horas na tribuna, conclui há pouco o meu discurso em que oficializei a minha saída do PDT e o meu ingresso no PPS. Disse, entre outras coisas, que a mudança foi antes de tudo uma decisão na direção de não me acomodar num momento em que o Brasil passa por uma grave crise política, ética e econômica. Mudo – tive oportunidade de discursar - para continuar defendendo minhas bandeiras, a bandeira da educação, e creio que vou estar num bom lugar para isso, com muita esperança. Espero que, com os 72 anos que eu já posso dizer que tenho, eu não precise tentar, mas não hesitarei em tentar, enquanto eu for capaz de não desistir e de não me acomodar. Dois verbos malditos para quem quer continuar vivo: desistir e acomodar-se. Agradeci a acolhida que o PPS me deu, inclusive com a presença de vários parlamentares do partido no plenário, e fiquei bastante emocionado e honrado com as manifestações de reconhecimento pelo trabalho, pela minha luta em defesa da educação pública. Eu pude dizer também que a vinda para o PPS tem diversas razões. Uma delas, eu não posso negar, é esse lado emocional de uma amizade mais de cinquenta anos, de um companheirismo permanente, apesar de nunca no mesmo Partido. Quando ele era do Partido Comunista, cuja história eu respeitava e respeito até hoje, eu era da esquerda católica, da Ação Popular. Mas essa relação pesa. Mas não é só isso. Amizade é para ter amigos; companheirismo de Partido é para ter a mesma bandeira. O que me atrai hoje é a possibilidade que o ex-Senador e atual Deputado Roberto Freire oferece de juntos, inclusive com a possibilidade de um Congresso extraordinário no próximo ano, trabalharmos um projeto claro e alternativo para o Brasil e um projeto claro e alternativo para um Partido que sirva ao novo Brasil desse novo tempo. Fico feliz também e com a certeza de que, pelas manifestações de apreço, deixo amigos no PDT, partido pelo qual militei durante dez anos.

Cristovam Buarque
Por: Marcos Sampaio