SUPER-HERÓIS, BANDOLEIROS E AS SAÚVAS NA FARRA DO PAU BRASIL

Cotidianamente desde quando sente o ator social a se “entender como gente”, há ver o mundo com outros “olhos progressivamente evoluídos” conforme seu amadurecimento intelecto-emocional (psicossocial) educacional, processo social que do ponto de vista da psicologia convencionou-se na denominação de desenvolvimento comportamental criança/adolescente/adulto(‘adultez’ ).Passam a ser constantes, mudanças de opiniões. Raul  Seixas já preferia ser uma ‘metamorfose ambulante’.

É quando todos adentram ao mundo da ética, da moral, do social, das culturas, das ideologias da sociedade, do essencialmente político. Dos palpáveis objetivos e subjetivos, do metafísico, das constitucionalidades da polis. Como práticas de cidadania. Moldando assim o estado um  cidadão  com seus direitos e deveres estabelecidos(em tese). É o jogo entre a ética e a moral, uma vez que a moral, segundo Durkheim sempre existiu, ela precede a ética, é a “ciência dos costumes”, sendo algo anterior à própria sociedade. A moral tem caráter obrigatório.

A partir de então, a filosofia de vida desse ator social/moral ‘metamorfico’ , camaleão político, adquire naturalmente como produto social dentro das esferas da ética e da moral, conflitos pessoais e relacionais interdisciplinares de ideias, desejos, caráter, virtudes e vícios, pelo resto de sua vida, em busca de sua sobrevivência na selva/polis dos homens, com seus antagonismos.

Ética vem do grego “ethos” que significa modo de ser, e moral tem sua origem no latim, vem de “mores”, significando costumes. A ética tem origem em Sócrates.

Moral é um conjunto de normas reguladoras do comportamento humano em sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano.

Em “A ética  protestante e o espirito do capitalismo” Weber legitima e sacramenta o modus operandi da sociedade capitalista, usando como categoria fundante o fenômeno social da religião e religiosidade Calvinista, em detrimento do catolicismo.

Mas afinal, por que nos dias de hoje impera e torna-se tão comum a instabilidade ética e a moral, a degenerescência  de personalidade pessoal, ora grupal...ora coletiva, vertiginosamente corruptora e corruptível ?

A estabilidade e instituição do estado/indivíduo da cultura contagiante de corrupção ativa/passiva desmedida, como moeda (volumosa) vigente de troca, dilapidando o nosso erário, não está ligada somente a impunidade de um judiciário elitista, conservador, corporativista, clientelista e corrupto.

Que, como diz Roberto Amaral (Carta capital) “Comecemos pelo fundamental, ao lembrar que o poder judiciário, como está estruturado em nosso país, é uma projeção monárquica em estado republicano, pois a república é incompatível com a vitaliciedade, a irresponsabilidade (no estrito sentido jurídico-político) , a sucessão hereditária e o nepotismo, que muitas vezes orientam a constituição de nossas cortes e a composição dos gabinetes de nossos julgadores”.

Ou seja, o que o colunista e nós, podemos chamar de burocratização do estado.

Tampouco esta estabilização de estado corrupto se faz e contamina somente ao legislativo e o executivo. A corrupção é histórica, complexa e endêmica, permeia as instituições em geral é um mal essencialmente sistêmico da rede capitalista. E longe de não ser o único e tão somente mal, para se denunciar e combater coletivamente, com apoio do ministério público (?), da sociedade civil, e dos trabalhadores os pré-cidadãos.

Assim, segue ecoando como alerta/sinal vermelho e urgente a metáfora do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire que em sua passagem pelo Brasil, em 1822, pesquisando a vida das formigas durante seis meses, disse a celebre pérola : “Ou o Brasil acaba com as saúvas ou as saúvas acabam com o Brasil”.

Trocando em miúdos, ou o Brasil acaba com a corrupção ou a corrupção acabará com o Brasil!

Porquê até mesmo o nosso herói sem nenhum caráter, Macunaíma, por intermédio de seu onipresente criador  Mário de Andrade, não lhes deixou de faltar um verniz de caráter, embora reduzindo, ao dizer : “ Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são”.

J. Adauto G. Moura   -  adautoacre@hotmail.com



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