A Filosofia

A filosofia

A palavra filosofia tem um significado muito especial, que é desconhecido pela maioria e que, no entanto, nos ajuda a entender a sua função na história humana. A filosofia nunca foi fácil de ser compreendida, por isso seu criador Pitágoras de Samos ( séc VI AC. ) definiu a palavra filosofia de uma forma bem simples de origem grega que significa Philos ( amor, amizade ) e Sophia ( sabedoria ), ou seja, “amor a sabedoria”. A filosofia pode ser definida como um modo de questionar a vida com perguntas e afirmações complexas com muito subjetivismo. 

  Mas esse apego ao conhecimento também pode ser entendido como uma vontade que é própria do ser humano, em tentar entender e explicar tudo o que está em sua volta, assim como o ar fresco matinal, as árvores pequenas e grandes, os rios que fluem, as pedras que ficam paradas, ou as que rolam morro abaixo em tentar entender e explicar o objetivo mais difícil e interessante de todos, que é a própria figura daquele que pensa sobre tudo isso, o homem.

Mas porque pensar sobre coisas que parecem tão firmes e consolidadas no mundo, como o trabalho, ou o dinheiro, ou as árvores, ou mesmo sobre o ser humano? Não seria uma grande perda de tempo parar para pensar quando poderíamos estar agindo, trabalhando, nos divertindo?

Alguns pensam que sim, que realmente é uma perda de tempo e que é melhor agir do que pensar ( estes são conhecidos como pessoas de ação ou pessoas práticas ). Já outras, no entanto, acreditam que se sentiriam melhor em não fazer nada, sem antes um demorado estudo, uma longa análise da situação para que possíveis erros de operação possam ser mais facilmente evitados (essas pessoas são conhecidas como pessoas de reflexão ).

Uma outra problemática a cerca da filosofia é sobre sua utilidade, ou seja para que serve a filosofia, ou para que filosofia? Essa é uma pergunta interessante. Não vemos e nem ouvimos ninguém perguntar, por exemplo, “ para que matemática ou biologia”, “para que física ou geografia, “para que química ou economia”. Mas todo mundo acha natural perguntar “para que filosofia”. Essa pergunta ( para que filosofia ), tem a sua razão de ser. Em nossa sociedade e em nossa cultura costumamos considerar que alguma coisa só tem o direito de existir se tiver alguma finalidade prática. Pois ninguém pergunta “ para que as ciências”, porque todo mundo já sabe ou imagina ver a utilidade da ciência nos produtos da técnica. E isso vale para todas as outras áreas ou atividades práticas do entendimento do senso comum. Entretanto, ninguém consegue perceber para que serve a filosofia.

Em linhas gerais a filosofia permite que o homem tenha mais que uma dimensão, ou seja, a que é dada pelo agir imediato no qual o homem prático se encontra mergulhado. É ela que permite o distanciamento para a avaliação dos fundamento dos atos humanos e dos fins a que eles se destinam. É ela que reuni o pensamento fragmentado da ciência e o reconstrói na sua unidade. Logo a filosofia é a possibilidade da transcendência humana, ou seja, a capacidade que só o homem tem de superar a sua imanência. Pela transcendência, o homem surge como um ser de projeto, capaz de construir o seu destino, capaz de liberdade. A filosofia exige coragem, pois a busca da verdade é enfrentar as formas estagnadas do poder que tentam manter o status quo, é aceitar o desafio da mudança, ou seja, saber para transformar. Notamos que a verdade esta em um conflito perpétuo. E a filosofia leva esse conflito ao extremo, porém o despe de violência. Em suas relações com tudo quanto existe, o filosofo vê a verdade revelar-se a seus olhos, graças a troca com outros pensadores e ao processo que o torna transparente a si mesmo.

A filosofia dedica-se a procura do homem, escuta o que ele diz, observa o que ele faz e se interessa por sua palavra e ação, desejoso de partilhar, com seus concidadãos, do destino comum da humanidade.

Por: Leomir Melo