Baby confirma aposta, esquece revés para astro e ganha 2º bronze olímpico

É o segundo bronze seguido conquistado pelo sul-mato-grossense de 29 anos em Jogos Olímpicos. Ele também foi ao mesmo lugar do pódio em Londres 2012. Após um começo tardio na arte marcial, aos 15, Rafael, que ganhou o apelido de Baby porque era muito bonzinho e ficava calado no seu canto na academia de judô, se dá ao luxo de possuir além de dois bronzes olímpicos, duas medalhas em Mundial (prata e bronze).

Rafael Silva, Pódio Judô (Foto: Agência Reuters)Rafael Silva com o bronze (Foto: Agência Reuters)

- Estou muito feliz! Foi muita luta depois da minha lesão. Quero agradecer a todos que me ajudaram. Em casa é bom demais. A torcida pressionou o adversário, me ajudou a todo momento. Muito diferente ganhar essa medalha com a torcida. Eles me empurraram. Riner é um ícone do esporte. Privilégio lutar com ele, espero encontrá-lo em Tóquio 2020 - comemorou Baby, lembrando da lesão no músculo do tórax que o afastou do tatame por seis meses, entre julho do ano passado e janeiro deste ano.

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A medalha do peso-pesado é a quarta do Time Brasil na Olimpíada do Rio e a terceira no judô, após o ouro de Rafaela Silva. e o bronze de Maria Aguiar. A primeira, de prata, veio no tiro esportivo, com Felipe Wu, na pistola de 10m. A láurea de Baby é a 22ª do judô nacional em Jogos Olímpicos, aumentando a vantagem da arte marcial de origem japonesa na disputa com a vela, que tem 17.

O grandalhão brasileiro de 2,03m e 170kg estreou na Rio 2016 com uma vitória extremamente fácil, por ippon, sobre o hondurenho Ramon Pileta. Também com um golpe perfeito, o mais pesado atleta da delegação brasileira nos Jogos despachou o perigoso russo Renat Saidov nas oitavas de final. Porém, o terceiro duelo dele na manhã desta sexta-feira foi o aguardado duelo contra o mito do judô mundial Teddy Riner, dono de oito títulos mundiais e atual campeão olímpico. O francês, que entrou no tatame da Arena Carioca 2 com uma invencibilidade de 109 lutas sentiu a força da pegada de Baby e o grande apoio da torcida, mas, com um wazari, acabou levando a melhor pela oitava vez em oito confrontos. A derrota mandou Rafael para a repescagem. Ele precisaria vencer duas lutas para ir ao terceiro lugar do pódio. Na primeira, o simpático atleta atuou muito bem taticamente e forçou duas punições do holandês Roy Meyer para sair vitorioso. Depois veio o triunfo sobre Tangriev, do Uzbequistão.

Pódio da categoria acima de 100kg no judô (Foto: Murad Sezer/REUTERS)Pódio da categoria acima de 100kg no judô (Foto: Murad Sezer/REUTERS)

Representante do Brasil no peso-pesado feminino (acima de 78kg), Maria Suelen Altheman estreou já nas oitavas de final, mas perdeu por yuko para a sul-coreana Minjeong Kim, atual campeã asiática. A paulista era uma das principais esperanças de pódio, pois tem no currículo dois vice-campeonatos mundiais (2013 e 2014) e já venceu as suas principais rivais.

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Vinha do judô uma grande expectativa de medalhas do Time Brasil. O plano era obter ao menos cinco pódios. Caso Baby coloque uma medalha no peito, serão apenas três. Nos seis primeiros dias do esporte na Rio 2016, a seleção brasileira conquistou o ouro com Rafaela Silva e obronze de Mayra Aguiar, mas se frustrou com Sarah Menezes (até 48kg), Érika Miranda (até 52kg), Victor Penalber (até 81kg), Tiago Camilo (até 90kg) e agora com Maria Suelen Altheman.Mariana Silva surpreendeu no até 63kg e acabou em quinto.