LULU SANTOS

Lulu Santos tinha cinco anos de idade e ainda era Luiz Maurício quando posou para a foto de seu novo disco, o 25º da carreira. Mas por que justamente aquela imagem? "Boa pergunta, sabia? Se eu soubesse responder... É um pouco uma charada, sou eu e minha mãe clicados pelo meu pai, na frente da Casa Branca, em 1958. Esclarece muito de mim e da minha atitude pessoal em relação a muita coisa", explica ele.

Na capa, o título "Luiz Maurício" aparece com exclamação e dentro de balão de história em quadrinho. Lulu desmente que a mãe estivesse pensando em dar uma bronca – como costumam fazer as mães ao gritar o nome inteiro dos filhos. "Tem um pouco isso, mas é mais telepático."

Ele fala que o CD ficou "semipronto" em 2012. "Mas faltava alguma coisa, era a visão do outro", afirma. Diz que, por isso, resolveu chamar parceiros como o DJ Memê, com quem trabalha há 20 anos, e o produtor Sany Pitbull. O funkeiro Mr. Catra também aparece, na música "Michê (chega de longe bis)". Canta os versos "Soprando de sua boca palavras obscenas/ Fazendo-se de louca, altamente controlada/ Seu cheiro 'seu' libido que invade minha cama/ Fazendo-me bem mal, roubei como escrava". "O artista é um pouco ensimesmado, fica tocando o violão solitário para si. Eu sou individualista por natureza, admiti isso para mim mesmo", avalia Lulu. "É uma forma de ser, mas ao mesmo tempo chega uma hora em que fica desgastante ser solitário."

"Luiz Maurício" tem 12 faixas, uma delas a homônima – ela aparece duas vezes: na versão original e na versão remixada por Memê. Lulu brinca que tudo começou com essa música, especialmente "quando Maurício rimou com solstício". Ele se refere à seguinte passagem: “Eu me chamo Luiz Maurício, mais conhecido como Lulu/ Porque o coração trabalha como uma bússola/ E errar o rumo também faz parte/ Equinócio e solstício”.

A canção pode ter jeito de autobiográfica, mas o cantor diz que não é exatamente assim. Os versos de abertura são estes: "Eu não entendo de política/ Não tive educação/ O que não quer dizer que vá confundir fato com boato/ Já vivi de aparência/ Transitei na ilusão/ Mas agora ando bem melhor/ E muito menos drama”. Aos 61 anos, Lulu concorda que o "muito menos drama" se aplica. Para justificar, usa um recurso que parece habitual: cita trechos de suas próprias músicas na hora se resumir um raciocínio. Desta vez, escolhe "Assim caminha a humanidade" (aquela que serviu de trilha de abertura de "Malhação” durante muitos anos: "Ainda vai levar um tempo/ Pra fechar o que feriu por dentro...").Uma das músicas do disco, inclusive, parece um aceno a essa juventude. Chama "SDV (Segue de volta?)". Ele canta: "Eu te twi-to tu/ Me tweet também/ Eu me twi-to tu/ Se tweet também/ Eu esperei você postar/ A sua decisão/ Se o meu perfil no 'safelook'/ Vale uma canção". Lulu diz que não pensou deliberadamente uma coisa do tipo "vou escrever algo com vocabulário de redes sociais". "Eu me relaciono como esse universo, até porque também estou na Matrix", conclui.