“NA ARQUIBANCADA, PRA QUALQUER MOMENTO...”.

“NA ARQUIBANCADA, PRA QUALQUER MOMENTO...”.

 

Prof. Valdemar Neto Terceiro, poeta;

 

Ao ver enfunar as velas, noto um vento de direções oblíquas.

O voejar das aves de outrora não mais repetem os suntuosos voos rasantes dos fins de tarde e a tensão corta o seu reino celeste. O entardecer pressagia um grito e o silêncio corrobora com as sutilezas das brisas mornas.

Do asfalto, plano desígnio dos autos vacilantes, o imóvel toma o espaço da visão. A retina fica carregada de inomináveis adjetivos tão voláteis ao vento que a mordaça das épocas de ferro ganha um corpo tão majestoso quanto já foi um dia.

O pulsar conta o tempo... O coração se torna um carrasco mordaz da incerteza, um profeta do porvir ainda que não saiba de qual direção virá a incerteza.

A praça não tem pernas pra lhe dar vida. O riso infante não ecoa em cacofonia.

Ainda há o respirar de cadafalso daqueles momentos de prelúdio. A eletricidade da brisa instaura uma desordem preexistente, inaudita e óbvia demais para dar-se atenção.

No mais, o mundo ainda vive. Talvez crente do que há de acontecer, mas ainda vive. Independe do que há por trás de todas as retinas silenciosas de ambos os lados da moeda. Não liga, não pergunta. Só julga e ao final, sentencia.

O mundo é um livro em permanente estado de escrito, mas as páginas sussurradas por agora ainda não entoaram nenhuma certeza do que haverá. Mas hoje o dia amanheceu com a cara da dúvida e dormirá na incerteza, sim! A predestinação evidente, silenciada pelos tantos que não ousam acreditar, pelos tantos noticiosos que esbravejam em esquinas as notícias amalgamadas nas vontades orquestradas na calada da noite.

E ainda o silêncio. O que se sabe não é o futuro.

Um grito inaudito, quem sabe. Entretanto, ruas bandeiradas, calçadas de cores intentas, gente nas cores da nação e um grito inaudito, ainda.

Porém, todo canto está silenciado.

Faltam tempos, sobra o dia. Nem dos ventos se sabem as direções e a noite se aproxima, sim. Quem saberá o que a lua iluminará nos recantos desse silêncio? Ainda não, ainda não. Espero.