Nova obra de Umberto Eco sairá ainda em 2016, promete editor

O escritor e semiólogo italiano Umberto Eco, morto aos 84 anos nesta sexta-feira (19), deverá ter uma nova obra publicada ainda em 2016. O anúncio foi feito na manhã deste sábado (20) pelo editor Mario Andreose, que também anunciou data e hora do funeral de Eco, segundo a agência Rai News.

A cerimônia ocorrerá no Castelo Sforzesco, em Milão, na terça-feira (23). A escolha não foi à toa. O local, que abriga um museu que expõe obras de Da Vinci e Michelangelo, podia ser observado por Eco da janela de sua casa. Ele dividia seu tempo entre o apartamento de Milão, onde tinha uma biblioteca de 30 mil volumes, e uma casa de veraneio perto de Rimini, em que ficavam 20 mil exemplares. Segundo Andreose, o velório será laico a pedido do escritor, que era ateu.

O editor marcou para março o lançamento do novo livro de Eco, “Pape Satan Aleppe”. Nome com uma frase retirado da “Divina Comédia”, de Dante Alighieri (1265-1321), a publicação reunirá artigos publicados pelos italiano desde 2000. O livro sairá pela editora nova editora do Eco, La Nave di Teseo.

De acordo com familiares do intelectual, ele morreu em sua casa na Itália, por volta das 22h30 do horário local (19h30 pelo horário de Brasília). A causa da morte não foi informada, mas, segundo a agência de notícias France Presse, o escritor, nascido na cidade de Alexandria, no dia 5 de janeiro de 1932, lutava contra um câncer.

Literatura
O autor de “O Nome da Rosa” havia lançado em 2015 o último de seus livros, “Número Zero”, romance sobre o jornalistas inescrupulosos.

Eco já tinha quase 50 anos quando começou a escrever romances, após uma bem sucedida carreira acadêmica. Já era autor de vários livros de não ficção e de ensaios quando decidiu buscar novos desafios. Ele foi professor na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, em 1992 e 1993. Lecionou ainda nas universidades de Oxford, Columbia e Indiana, na Universidade de San Marino e na Universidade de Bologna, onde era presidente da Faculdade de Ciências Humanas.

Segundo o jornal britânico “The Guardian”, o autor uma vez disse que escrever era apenas uma ocupação parcial. “Sou um filósofo, escrevo romances nos fins de semana”, afirmou. Ao mesmo jornal inglês, ele disse no ano passado que pretendia surpreender o leitor. “Acho que um escritor deveria escrever o que o leitor não espera. A questão é não perguntar o que eles precisam, mas muda-los... produzir o tipo de leitor que você quer para cada história."

Veja abaixo algumas das principais obras do escritor:

Apocalípticos e Integrados
A obra de 1964 reúne ensaios sobre a questão da cultura de massa na era tecnológica.

A Estrutura Ausente
Ensaio de 1968 discute como fenômenos da cultura cujo primeiro objetivo não é a comunicação podem ser vistos como fatos de comunicação.

O Nome da Rosa
Lançado em 1980, o romance conta a história do frei Guilherme de Baskerville, enviado para investigar o caso de um mosteiro franciscano italiano, cujos monges são suspeitos de cometer heresias. A história, que se passa em 1327, envolve mortes misteriosas, crueldade e sedução erótica.

O Pêndulo de Foucault
No romance de 1988, redatores de uma editora de Milão, depois de lerem muitos manuscritos ocultistas, encontram indícios de um complô que teria surgido em 1312 e seguido até o fim do século 20. O título refere-se ao pêndulo desenvolvido pelo físico Léon Foucault para demonstrar a rotação da Terra.

A Ilha do Dia Anterior
O livro de 1994, que se passa no século 17, conta a história de um nobre italiano que é o único sobrevivente do naufrágio de um navio. Depois de ficar à deriva, encontra Daphne, navio cuja tripulação desaparecera e que está cheio de objetos antigos e obras de arte.

História da Beleza
Ensaio de 2004 discute a evolução dos conceitos de beleza e de arte ao longo da história, além de discorrer sobre como o olhar é influenciado pelos padrões culturais do observador.

Cemitério de Praga
O livro de 2010 coloca personagens históricos em uma trama fantástica em que judeus querem dominar o mundo, jesuítas conspiram contra maçons e em que o único personagem ficcional é o protagonsita Simone Simonini.

Número Zero
No romance de 2015, um grupo de redatores reunidos ao acaso prepara um jornal, chamado "Amanhã" com o objetivo, não de informar, mas de prestar serviços duvidosos a seu editor, manipulando, chantageando e amedrontando adversários políticos.

Fonte: G1